As considerações do Teste da Pisada através do olhar do fisioterapeuta

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Nosso colunista Felipe Almeida opina sobre o teste da pisada

Na verdade não sou contra o teste de pisada. Existem testes e testes. O que acontece é que muitas vezes esses testes de pisada são realizados de forma incorreta e por profissionais que apenas foram treinados para tal função e não estudaram efetivamente o assunto, que por sinal é de importância ímpar. O teste de pisada não pode ser simplesmente feito olhando para os pés pois existem desajustes posturais que nos dão indícios de toda uma cadeia inadequada de movimento gerada pelos pés.

Estamos falando do pé, nossa base de apoio, nosso captor podal. Recebemos informações através dos nossos pés que são importantíssimas para nossos ajustes posturais.

Posso citar como exemplo a utilização excessiva de salto alto, que faz com que nosso centro de gravidade seja projetado a frente do nosso corpo gerando desajustes posturais adaptativos.

Quando for escolher um calçado para a prática esportiva o ideal, e primeiro de tudo, ele tem que ser específico para o esporte em questão. Pessoas especializadas estudaram e pesquisaram para produzir os mesmos.

Com relação aos tênis para a prática de corrida, sou a favor dos mais simples. Nada de “MOLAS”, solas inteiras de gel, as famosas “BLADES”, solas de ar… Temos que optar por calçados confortáveis e com solados normais de EVA. Neste caso menos é mais. Todos esses tipos de solado não permitem que as informações cheguem aos receptores, gerando desajustes até mesmo na própria pisada.

Atribuir uma lesão a um calçado pode estar mais relacionado a inadequação deste calçado com relação ao propósito dele (chuteira foi feita para jogar futebol e não correr, por exemplo) do que um tênis pronado usado num pé supinado.

Se no caso, o atleta ou o praticante de atividade física já tiver uma lesão de ordem osteo muscular, o ideal é que o mesmo passe por uma avaliação completa (postural) para que sejam detectadas as disfunções. Uma forma, além de exercícios específicos para reajustar tudo isso, é a confecção de palmilhas personalizadas com propósitos individuais.

Embora os calçados sejam desenvolvidos para “TENTAR” otimizar o desempenho atlético e prevenir lesões,  sabemos que não é bem assim. A melhor maneira, ainda, são os exercícios de preparação física específicos para cada modalidade e os trabalhos preventivos, como a otimização do CONTROLE SENSÓRIO-MOTOR, realizados por fisioterapeutas especializados na área esportiva.

Por exemplo: o tênis de jogadores de basquete eram todos desenvolvidos com cano alto para prevenir entorses de tornozelo recorrentes. Hoje sabemos que os mesmos não conseguem, e nem nunca conseguiram, estabilizar 100% o tornozelo, por isso a importância dos exercícios.

Felipe Cardoso de Almeida
Fisioterapeuta Esportivo
Supervisor de estágio do núcleo de apoio a saúde do atleta do curso de fisioterapia da FMU
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